“Políticos ‘Copa do Mundo’ já chegaram às igrejas visando o ano eleitoral”, diz Samuel Costa

“Políticos ‘Copa do Mundo’ já chegaram às igrejas visando o ano eleitoral”, diz Samuel Costa





Porto Velho (RO) O último sábado (28) foi marcado por um momento solene no Centro de Convenções da Assembleia de Deus, em Porto Velho: a consagração de novos diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores. O evento foi realizado pela CEMADERON, ligada à CGADB Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil. O que deveria ser exclusivamente um ato de fé e compromisso espiritual, no entanto, acabou ganhando contornos políticos, ao menos na avaliação de Samuel Costa, pré-candidato ao Governo de Rondônia.

Segundo ele, o evento foi transformado em vitrine eleitoral por lideranças que, em sua visão, reaparecem nos templos de quatro em quatro anos, como ocorre na Copa do Mundo.

São os políticos “Copa do Mundo”. Surgem no período eleitoral, posam para fotos, cumprimentam lideranças e desaparecem depois do pleito, afirmou.

Entre os presentes estavam figuras públicas como Fernando Máximo, Marcos Rogério, Léo Moraes e Ezequiel Neiva. Para Samuel Costa, embora qualquer cidadão tenha o direito de frequentar a igreja, o contexto pré-eleitoral levanta questionamentos sobre as reais motivações.

Fé, política e limites

O debate sobre fé e política não é novo. Desde os tempos do profeta Jeremias, a relação entre poder e povo de Deus sempre foi marcada por tensão. Ao longo dos anos, muitos fiéis passaram a enxergar a política com desconfiança, especialmente quando a mistura entre púlpito e palanque trouxe prejuízos a obreiros e lideranças espirituais.

A casa de Deus não pode virar palco de politicagem. O templo é lugar de culto, arrependimento e transformação. Política se faz nas ruas, no debate público e na construção de políticas públicas, não instrumentalizando a fé alheia, declarou.

Ele pondera, contudo, que as igrejas devem estar ded portas abertas a todos, inclusive autoridades constituídas. O ponto central, segundo ele, é a intenção.

Crítica ao oportunismo

Nascido e criado na Assembleia de Deus, onde foi batizado nas águas, Samuel afirma que, embora não congregue há quase uma década, mantém respeito pela instituição e por sua história em Rondônia. O que o preocupa, diz, é o que classifica como espetacularização da fé em períodos eleitorais.

Há políticos que aparecem nos cultos apenas para serem vistos. Porque, no cálculo eleitoral, quem não é visto não é lembrado. O objetivo é claro: manter-se na cadeira.

Em tom crítico, ele afirma que parte da classe política não demonstra coerência entre discurso e prática e que não se pode usar o altar como estratégia de marketing enquanto, fora dele, a conduta é incompatível com os valores cristãos.

Resistência e consciência

Apesar das críticas, Samuel destaca que existe um segmento expressivo da comunidade evangélica que não se deixa influenciar por gestos pontuais em época de eleição.

Existe um povo de Deus consciente, que discerne e que não se deixa levar por encenação. A fé não pode ser manipulada.

O episódio reacende um debate sensível em Rondônia: qual é o limite entre manifestação legítima de fé por parte de agentes públicos e o uso estratégico dos espaços religiosos para fins eleitorais?

Enquanto o calendário eleitoral se aproxima, a tendência é que a presença de políticos em templos, cultos e eventos religiosos se intensifique, e com ela as discussões sobre ética, coerência e respeito à fé.

Que Deus tenha misericórdia do seu povo, concluiu Samuel Costa.

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