O senador Flávio Bolsonaro encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento solicitando que a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros seja adiada por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias. A proposta busca transferir a adoção das medidas para depois das eleições presidenciais de 2026.
No documento, com 86 páginas, o parlamentar afirma que as tarifas anteriormente impostas pelo governo dos Estados Unidos não alcançaram o objetivo de pressionar mudanças na atuação das autoridades brasileiras. Segundo ele, o efeito foi inverso, fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um momento de disputa eleitoral.
Flávio argumenta que pesquisas de opinião indicam crescimento da posição política do atual governo durante os períodos em que as pressões comerciais norte-americanas ganharam destaque. Na avaliação do senador, novas tarifas poderiam ampliar esse cenário, permitindo que o governo brasileiro utilizasse o tema como discurso de defesa da soberania nacional.
O senador também sustenta que a imposição de tarifas afetaria não apenas o Brasil, mas igualmente empresas, consumidores e exportadores dos Estados Unidos. Para ele, medidas direcionadas, como sanções individuais e restrições de visto contra pessoas específicas, seriam mais eficazes do que penalizações comerciais amplas.
Na manifestação enviada ao USTR, Flávio se apresenta como pré-candidato do PL à Presidência da República e informa que tratou recentemente do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
O pedido foi apresentado durante a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que analisa supostas práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas, propriedade intelectual, corrupção, etanol e questões ambientais. A partir dessa apuração, o governo norte-americano avalia a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Enquanto isso, o governo brasileiro encaminhou sua resposta oficial às autoridades dos Estados Unidos. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil afirma que não existem provas de que políticas nacionais imponham barreiras discriminatórias ao comércio norte-americano.
Além do adiamento das tarifas, Flávio propõe que o período de suspensão seja utilizado para negociações entre os dois países. Caso o governo brasileiro não avance nas tratativas consideradas de boa-fé, as tarifas voltariam a ser aplicadas automaticamente. O senador afirma ainda que, se a oposição vencer as eleições, um novo negociador seria indicado para conduzir as conversas comerciais com Washington.
Paralelamente, o governo federal mantém um grupo de trabalho formado por diplomatas, economistas e representantes políticos para negociar com autoridades norte-americanas. Segundo o Executivo, já foram realizadas quatro rodadas de reuniões para discutir o impasse comercial entre os dois países.
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